Conheça “mulher” que fará a 1ª cirurgia de mudança de sexo na PB

18/02/2011

A pedagoga e cerimonialista Márcia Gadelha (foto), de 40 anos, deverá ser a primeira transexual na Paraíba a fazer uma cirurgia de mudança do sexo masculino para o feminino pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O custeio do procedimento passou a ser obrigatório pelo SUS desde 2007, por determinação da Justiça Federal.

Segundo determinação do Ministério da Saúde (MS), antes da chamada transgenitalização propriamente dita, a paciente tem que passar, obrigatoriamente, pelo menos dois anos sendo acompanhada por psicólogos e uma equipe multidisciplinar, para que eles avaliem se realmente há necessidade da cirurgia, que é irreversível.

Na Paraíba, a sessão de DST/Aids da Secretaria de Saúde de João Pessoa está em processo de organização do serviço, que até então nunca foi feito no Estado.

“Estão sendo feitas reuniões e o chefe do setor está mobilizando as equipes para que nós possamos fazer aqui no Estado essa adequação de sexo – do biológico para o psicológico.

Não sabemos ainda quando esse acompanhamento pré-operatório estará estruturado e nem a data em que o procedimento cirúrgico começará a ser feito”, explicou Tatiana Tinange, consultora de DST/Aids. Ela acrescentou que o Hospital Universitário deverá ser a unidade selecionada para realizar as cirurgias.

Tatiana explicou ainda que a ideia de preparar esse serviço aqui na Paraíba surgiu da demanda de transexuais que mantinham contato com um psicólogo do setor de DST/Aids, e que manifestavam a necessidade da cirurgia.

Márcia Machado foi uma dessas pacientes que procuraram o serviço de saúde em busca da adequação de sexo e conseguiu ter o nome como o primeiro da lista de espera. Segundo ela, o acompanhamento pré-cirúrgico será iniciado já em março e a expectativa é que o procedimento não demore a acontecer.  

Descoberta aconteceu aos sete anos  

“Sou mulher, me sinto mulher, minha cabeça é de mulher e penso como mulher”, destaca Fernanda Gadelha, frisando que desde que descobriu a sexualidade, aos sete anos, se vê de maneira diferente ao sexo biológico que possui. “Desde pequena, eu me vestia como mulher, pegava as roupas e os sapatos da minha mãe. Não se aprende a ser transexual, se nasce assim”, garante a pedagoga Márcia.

Márcia revela ainda que a cirurgia será uma realização pessoal, “é o que eu quero. Desejo ser mulher por completo, quero ser mais mais feliz, quero me encontrar”.

Conforme a consultora de DST/Aids, João Pessoa ainda não abriu oficialmente inscrições para as pessoas que desejam fazer a transgenitalização, já que o serviço ainda está em estruturação. Contudo, os interessados em realizar o procedimento podem procurar o Hospital Universitário para colocar o nome em uma lista de espera.

DOCUMENTÁRIO

A vida de Márcia Gadelha está sendo objeto de um documentário do professor Bertrand Lira, a ser lançado após o período do carnaval. Ela destaca que o vídeo mostrará todos os aspectos da vida de uma transexual e os preconceitos que ela enfrenta na sociedade.

“Eu sofri muito na universidade em que me graduei. A escola é excludente do grupo de gays, lésbicas e simpatizantes”, conta, ressaltando que na vida profissional também teve que travar batalhas para poder vencer a discriminação.

“Quanto mais a gente se mostra feminina, menos oportunidades a gente tem”, completa. Fernanda revela que a intenção do documentário é também mostrar a trajetória de uma transexual que não se prostituiu e conseguiu sucesso na vida.

Fonte

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Sobre nemge

O NEMGE é órgão da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo. Visa aprofundar, através de pesquisa empírica e estudos teóricos, as articulações entre gênero, etnia e classe social, especialmente no Brasil e na América Latina.
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