Sexualidade: A terceira via à chinesa

20/02/2011

Num país que descriminalizou a homossexualidade em 1997 e deixou de a considerar, oficialmente, uma doença mental há dez anos, continua a ser mais fácil não sair do armário do que assumir a sexualidade – ainda que se estime haver cerca de 40 milhões de homossexuais na China.

Mas uma nova geração de chineses parece ter encontrado uma solução de compromisso: o casamento entre um gay e uma lésbica. E os potenciais noivos já se podem encontrar em eventos próprios. Em Xangai, considerada a cidade mais liberal e progressista da China, não faltam bares gay nem quem ostente publicamente a sua preferência sexual. Só que assumir para os amigos ou para estranhos é uma coisa – para a família, é outra. Casar e ter filhos não é um direito, é uma obrigação. Sobretudo para aqueles que são os herdeiros da geração que viveu e protagonizou a Revolução Cultural (1966-1976), e que seria a pioneira da política do filho único, implementada após a morte de Mao Tsé-tung. Segundo a sexóloga Li Yinhe, citada pela revista Slate, 80% dos homossexuais chineses casam-se com heterossexuais. Esta tem sido a forma encontrada para contentar os progenitores e torná-los avós, numa sociedade em que a família ainda é, verdadeiramente, um pilar. A pressão para formar família é tal que, na China, as mulheres solteiras com mais de 27 anos não são chamadas tias : são chamadas restos …

A fórmula perfeita

Para evitar este cenário de casamentos infelizes e vidas duplas mas, ao mesmo tempo, não dar aos pais o desgosto de o seu único filho assumir a sua homossexualidade, começaram a ser organizadas feiras de falsos casamentos nas grandes cidades chinesas, como Xangai. São reuniões discretas, em que gays e lésbicas tentam encontrar no sexo oposto o seu par. Ambas as partes sabem que a união será uma fachada. É a fórmula perfeita. Fen Ye, de 30 anos, homossexual casado com uma lésbica, explicou à Slate a importância destes casamentos: «No teu trabalho, na tua vida social e nas reuniões de família, tens de levar alguém. Todos esperavam que me casasse. A cerimónia foi como uma tarefa que eu tinha de cumprir». Ele e a mulher já falaram em ter um filho. «Para ter um bebé, talvez tentemos a inseminação artificial», diz Fen, que deixou claro que não existe vida sexual entre ele e a mulher. E que assegura que, se for pai, sairá do armário para o seu filho.

Fonte

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Sobre nemge

O NEMGE é órgão da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo. Visa aprofundar, através de pesquisa empírica e estudos teóricos, as articulações entre gênero, etnia e classe social, especialmente no Brasil e na América Latina.
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