Aborto, conquista feminina em perigo na França

08/03/2011

O aborto, legalizado na França em 1975, é hoje um direito frágil por razões materiais, afirmou o reconhecido ginecologista Israel Nisand, que reiterou o alerta devido ao aumento desta interrupção em adolescentes.

Em uma entrevista publicada pelo jornal France Soir, o professor de ginecologia obstetricia do Hospital de Estrasburgo (ao leste) disse que 36 anos após a votação da lei Veil, esta conquista feminina está em perigo.

Reduziram o orçamento dos hospitais, fecharam centros onde se efetuam interrupções voluntárias de gravidez (IVG, por suas siglas em francês), as filas de espera aumentam, sobretudo em Ile de France (Paris e a periferia), acrescentou o especialista.

Nisand insistiu na necessidade de se estabelecer uma verdadeira política de prevenção devido ao aumento de abortos em menores, cerca de 15 mil registrados em 2009.

A sexualidade dos adolescentes é um tabu, sexo é um crime e são utilizados métodos anticonceptivos, um crime premeditado, declarou.

O médico reiterou sua proposição de setembro de 2010, na qual demandou gratuidade e anonimato da pílula contraceptiva para as mais jovens.

É necessário reforçar a prevenção, informar melhor e aplicar a lei de 2001 que obriga aos centros escolares a dar educação sexual, acrescentou.

Por outro lado, em uma pesquisa efetuada pelo instituto OpinionWay, 88 por cento das entrevistadas considerou que a legalização das IVG permitiu libertar às mulheres do medo de uma gravidez não desejada.

Igualmente, 83 por cento estaria disposta a se mobilizar para defender esse direito, acrescentou a pesquisa. Em novembro passado, milhares de mulheres se manifestaram em todo o país ao chamado de umas 70 associações em defesa do aborto para exigir um melhor acesso às IVG.

De acordo com as organizações que protegem as mulheres, as dificuldades para se realizar uma IVG se mantêm atualmente, pese à legalização do aborto com a lei Veil e o reembolso do mesmo desde 1982.

Em 2001, a legislação Aubry permitiu o aumento de 10 semanas para 12 semanas do tempo legal para se realizar uma interrupção, mas esta disposição só ficou nos papéis, afirmaram de forma geral.

Cada vez é mais frequente encontrar-se com médicos que se recusam a atender às mulheres implicadas dentro do tempo regulamentado, o que obriga a estas mulheres a ir a países vizinhos, como a Grã-Bretanha ou Holanda para realizar a IVG.

As associações criticaram também a redução de centros IVG no país, alegando que após a chamada lei Bachelot, sobrenome da ex-Ministra de Saúde Roselyne, a quantidade de instalações não pára de diminuir.

Fonte

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Sobre nemge

O NEMGE é órgão da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo. Visa aprofundar, através de pesquisa empírica e estudos teóricos, as articulações entre gênero, etnia e classe social, especialmente no Brasil e na América Latina.
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