Governo libertou mulher líbia que acusou soldados de estupro

Imane al Obeidi diz ter passado por um interrogatório que durou três dias

Imane al Obeidi, a mulher líbia que disse ter sido abusada sexualmente por soldados de Muammar Gaddafi, diz ter passado por um interrogatório que durou três dias após ser levada de um hotel em Trípoli no dia 26 de março. Agora, ela diz não estar mais sob custódia do governo.

Em entrevista à rede americana CNN por telefone, Imane contou que os interrogadores jogaram água e comida em seu rosto. Ela disse que o tratamento abusivo, desta vez, foi mais psicológico do que físico.

Desde que foi libertada, Imane garante que passa tempo com a família em Trípoli. Mas ela disse que não pode deixar a casa onde está hospedada pois funcionários da polícia ou do Exército podem perseguí-la ou promover uma “tortura mental”.

Para a mulher, as falsas acusações proferidas pelo governo de Gaddafi contra ela, chamando-a de prostituta, doente mental e bêbada, arruinou a sua reputação para sempre. Imane disse que as pessoas riem dela agora e afirma sofrer de pesadelos.

– Eles não me dera a chance de me defender.

Quando tenta sair de casa, Imane diz que funcionários a perseguem e ameaçam levá-la para delegacia. Mas a polícia não saberia o que fazer já que não é acusada de um crime e pode ser libertada imediatamente.

Relembre o caso

A história de Imane al Obeidi, uma estudante de direito de 29 anos natural de Benghazi, ficou conhecida após a moça ter invadido restaurante do hotel Rixos, em Trípoli. Ela exigia falar com jornalistas da agência Reuters e do jornal americano The New York Times, exibindo marcas e feridas pelo rosto e membros.

Segundo Imane, 15 homens do Exército líbio teriam abusado dela durante dois dias, que incluíram espancamentos, tortura e relatos de extrema humilhação.

O incidente causou comoção no hotel, localizado no centro da capital do país, onde funcionários agiram com violência para tentar impedir com que a mulher concedesse entrevistas para os jornalistas.

Relatos de jornalistas do New York Times e das redes de TV CNN e Skynews afirmam que funcionários do hotel tentaram agredir Imane com uma faca, aos gritos de “traidora”, além de destruírem câmeras de TV e gravadores portáteis de vários repórteres.

A mulher terminou sendo levada por um carro das forças de segurança do governo e seu paradeiro permanece desconhecido até esta quinta-feira.

O porta-voz oficial do regime, Musa Ibrahim, mais tarde tentou diminuir o ocorrido afirmando que a mulher teria problemas mentais e “estaria bêbada” durante o momento da confusão.

Fonte

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Sobre nemge

O NEMGE é órgão da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo. Visa aprofundar, através de pesquisa empírica e estudos teóricos, as articulações entre gênero, etnia e classe social, especialmente no Brasil e na América Latina.
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