Sexo durante a menstruação exige cuidados para evitar doenças

“Pode ter relações sexuais durante a menstruação?” A dúvida é frequente na população feminina, mas nem todas as mulheres ficam confortáveis em abordar o tema com especialistas. A resposta para a pergunta é “sim”, diz a médica coordenadora do Ambulatório de Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, Elsa Gay, ao emendar um complemento para a afirmação.


“Mas, para isso, é preciso dar atenção especial à higiene íntima, antes e depois da relação”.

Algumas mulheres podem ficar receosas em transar nesta fase do ciclo por causa dos odores e secreções, típicos do período menstrual. Mas reforçar os cuidados higiênicos na região da vagina e do ânus, afirma Elsa, garante mais do que segurança para fazer sexo mesmo estando menstruada.

A limpeza adequada dificulta as infecções e reforça as defesas sexuais que ficam mais frágeis durante o período menstrual”, diz Elsa.

Os motivos

Durante a menstruação, três fatores fazem com que as mulheres fiquem mais vulneráveis ao contágio de doenças, explica Paulo César Giraldo, ginecologista da Unicamp e presidente da Comissão de doenças infectocontagiosas da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

“Nesta fase, aumenta a umidade na região da vagina, desequilibra o pH do tecido vaginal e aumenta a descamação da área, o que torna o ambiente propício à proliferação de vírus, bactérias e fungos”, afirma.

Promover a higiene íntima é, portanto, aumentar as defesas naturais da mucosa da vagina e “liberar” as mulheres para o sexo na menstruação caso elas queiram (e o parceiro concorde). Os especialistas, no entanto, fazem questão de ressaltar que, em hipótese nenhuma, o hábito substitui o uso da camisinha. Mesmo o uso de preservativo exige higiene reforçada, já que os resquícios de secreção também podem causar outros tipos de infecções.

Como faz?

Apesar de parecer um assunto intuitivo e de conhecimento de todos, pouca gente entende de higiene genital e até mesmo os médicos não sabem abordar o assunto com suas pacientes. Um levantamento feito com 422 especialistas que estiveram no Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, realizado no fim do ano passado, mostrou que apenas 3% deles falam espontaneamente com suas clientes sobre higiene da vagina e as formas mais adequadas de limpeza.

“São inúmeras publicações que falam sobre a importância de lavar as mãos, por exemplo, e sobre higiene íntima as orientações são praticamente inexistentes”, afirma o médico Giraldo.

“Por isso, sabendo da importância inclusive para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis como o HPV, elaboramos no final do ano passado o primeiro guia de higiene íntima feminina, voltado para ginecologistas orientarem suas pacientes.”

De acordo com o presidente da comissão da Febrasgo, usar sabonetes que não desequilibrem o pH da mucosa vaginal é o primeiro passo para a limpeza adequada. “Neste caso, é importante não usar substâncias neutras (porque o ideal é que a região fique ácida) e também não utilizar sabonetes que exterminam bactérias (antisépticos), porque algumas delas protegem as defesas naturais da vagina”, explica Paulo César Giraldo.

No mercado brasileiro, já existem produtos específicos para a higiene íntima e a orientação é sempre perguntar a opinião do médico sobre quais usar. Apesar de serem os mais recomendados para este tipo de uso, os sabonetes íntimos são utilizados por apenas 11% das mulheres, segundo pesquisa feita pela Sanofi-Aventis (laboratório fabricante do Dermacyd).

Indicação e corrimentos

A higiene íntima benfeita melhora a autoconfiança feminina, dificulta o contágio de doenças e impacta até no desempenho sexual da mulher, mas não pode ser encarada como remédio ou tratamento.

“O sabonete íntimo não vai curar o corrimento, caso ele exista, e sim evitar que apareça. Se a mulher tiver com qualquer secreção diferente, ainda que sem cheiro ou cor, é importante procurar o médico antes de usar qualquer produto”, afirma Elsa Gay.

“Outro ponto importante é que estes sabonetes não melhoram a lubrificação vaginal, diminuída com a chegada da menopausa principalmente. A relação entre higiene e desejo sexual é que vencido o tabu de odores, as mulheres podem sentir menos pressão na hora de transar, o que facilita o prazer”, completa a médica.

Passo a passo para a higiene intíma

– Em dias quentes, procure fazer higiene íntima três vezes por dia. Em dias frios, uma vez

– Faça movimentos circulares suaves e evite trazer resíduos da região anal para a vulvar

– Utilize produtos específicos, que façam pouca espuma e que NÃO sejam anti-sépticos

– Secar as áreas lavadas com toalhas de algodão, macias, secas e limpas

– Fazer higiene íntima em excesso é tão prejudicial como não fazer. Esfregar demais a pele da região pode provocar lesões e machucados que favorecem infecções

– Mulheres que já estão na menopausa devem ter atenção especial, pois a mucosa vaginal tende a ser mais fina e a limpeza da área genital pode favorecer o aparecimento de lesões.

– Evite usar papel higiênico muito áspero, que pode machucar a pele e deixar resíduos. O ideal segundo Paulo César Giraldo é utilizar lenços umedecidos.

Fonte

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Sobre nemge

O NEMGE é órgão da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo. Visa aprofundar, através de pesquisa empírica e estudos teóricos, as articulações entre gênero, etnia e classe social, especialmente no Brasil e na América Latina.
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