Para cada 100 mulheres, há 96 homens, diz IBGE

Dados do Censo revelam que existem ao menos 60 mil casais gays no país Pela 1ª vez, o percentual de pessoas que se dizem brancas caiu abaixo da metade; taxa de pretos, pardos e amarelos sobe

O Brasil -com seus 190.755.799 de habitantes- que emerge dos números do Censo 2010 divulgados ontem pelo IBGE, é menos branco, mais velho, mais feminino e mais alfabetizado.

 Pela primeira vez, o percentual de pessoas que se declararam brancas caiu abaixo da metade: 47,7%. Em 2000, eram 53,7%. Mais pessoas passaram a se declarar pretas (7,6%), pardas (43,1%) e amarelas (1,1%). Os indígenas continuam sendo 0,4%. O IBGE usa exclusivamente o conceito de autodeclaração para atribuir cor e raça, dentro das classificações preto, pardo, amarelo e indígena. Os termos para designar cor fazem parte da nomenclatura oficial do instituto.

Para Sônia Rocha, pesquisadora do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), é “natural” o crescimento da população parda. O motivo, avalia, é o “avanço da miscigenação”.

Mas a expansão de pretos, diz, está ligada ao “orgulho”. A vendedora Marineide de Oliveira Santos, 29, confirma isso. Na certidão de nascimento, sua cor é branca. Mas, ao IBGE, ela se declarou parda. “Dizia no passado que era branca, porque antes havia brincadeiras de mau gosto. Mas hoje em dia, pardo é como negro e tem suas vantagens – como as cotas.”

MULHERES

O Censo 2010 revela ainda que, no país, “faltam” quatro homens para cada grupo de 100 mulheres. Na última década, a população “perdeu” um homem: o país passou a ter 96 homens para 100 mulheres -em 2000, eram 97. Ana Amélia Camarano, demógrafa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), afirma que o crescimento mais acelerado da população feminina está ligado ao envelhecimento -já que as mulheres vivem mais.

É o caso de Maria Dicélia Campos Matias, 65, do Rio Grande do Norte, que ficou três vezes viúva. Dois de seus maridos morreram de ataques cardíacos. O outro, após um acidente de carro. “Depois disso, convivi com uma pessoa por oito anos. Não deu certo, deixei. Depois convivi com outro por três anos. No momento, estou gostando aí de uma pessoa. Tem que ir em frente.”

CASAIS GAYS

O IBGE pesquisou ainda -e pela primeira vez- casais do mesmo sexo. Foram contados 60 mil cônjuges de igual sexo do chefe do domicílio -apenas 0,2% do total. “Esse número está subnotificado e reflete, em parte, o preconceito, mas a tendência é que aumente nos próximos censos à medida que a legislação brasileira avance, como com o reconhecimento dessas uniões pela Previdência e pela Receita”, disse Eduardo Pereira Nunes, presidente do IBGE.

Fonte

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Sobre nemge

O NEMGE é órgão da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo. Visa aprofundar, através de pesquisa empírica e estudos teóricos, as articulações entre gênero, etnia e classe social, especialmente no Brasil e na América Latina.
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