Ucranianas tiram a roupa para ‘dar voz’ às mulheres

Movimento Femen rejeita feminismo tradicional. Grupo de jovens faz protestos ‘topless’ até duas vezes por semana

Elas estão regularmente em fotos nas agências de notícias e nas páginas dos tabloides – sempre com os seios às mostra. As garotas do grupo Femen, uma organização feminista ucraniana, descobriram que mostrar o corpo é uma das melhores maneiras de chamar a atenção para suas causas. Mas quais são mesmo sua causas?

São as mais diversas, como explica à reportagem do G1, em Kiev, uma das líderes do movimento, Inna Shevchenko, estudante de jornalismo de 20 anos. Por isso, até duas vezes por semana elas estão em algum lugar público mostrando os seios.

Já foram alvos o governo ucraniano, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, por causa de suas supostas peripécias sexuais, assim como o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad, por não livrar Sakineh Mohammadi Ashtiani da condenação por apedrejamento.  Na última semana, elas lembraram os 25 anos do acidente de Chernobyl e protestaram contra o uso da energia nuclear. “Claro que protestamos contra tudo. O que queremos é ter uma voz”, diz Inna.

Integrantes do Femen protestam contra a polícia, por tentar deter o movimento. Inna Shevchenko aparece à direita, enquanto, à esquerda, uma de suas colegas já é arrastada por um policial.

Mas por que optaram por protestar topless? Não é contraditório mostrar o corpo, atraindo olhares masculinos, quando a intenção é valorizar a mulher? Inna conta que antes elas organizavam protestos vestidas normalmente, mas viram que não tinha nenhuma repercussão, por isso resolveram radicalizar. “Quando uma mulher tira a roupa, é porque algo muito sério aconteceu. Aí as pessoas querem saber o que é”, explica a jovem.

Sua mãe chora toda vez que vê a filha na imprensa, sendo presa, como já aconteceu incontáveis vezes. “Minha mãe cresceu sob o comunismo. Para ela já não era normal protestar, quanto mais mulheres protestarem. Mulheres protestarem sem roupa, então, é uma loucura para ela”, conta.

A polícia impede suas manifestações com base numa lei ucraniana que proíbe mostrar “genitálias” em público. “Mas seio não é genitália”, argumenta Inna. Além disso, homens podem sair sem camisa e mulheres tomam sol sem a parte de cima do biquíni, então por que não podem protestar assim?

As garotas do Femen querem romper com o feminismo tradicional. “Aquele era para as mulheres serem iguais aos homens. Nós não – queremos ter o nosso lugar sendo mulheres. Por isso mostramos como somos sexy”. Atualmente o Femen tem 300 integrantes – 30 delas fazem protestos topless e se denominam as “guerreiras” do grupo. A média de idade é de 22 anos, mas há uma integrante de 63 anos.

Inna conta que os homens que assistem às manifestações nunca tentaram fazer alguma bobagem ou se aproveitar. No máximo, tiram fotos com o celular. A integrante do Femen também garante que o fato de que a grande maioria das “guerreiras” serem bonitas é uma coincidência e que não há seleção com base na aparência das militantes. “Olhe à sua volta – todas as ucranianas são bonitas. Não somos agência de modelo”, afirma.

Fonte

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Sobre nemge

O NEMGE é órgão da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo. Visa aprofundar, através de pesquisa empírica e estudos teóricos, as articulações entre gênero, etnia e classe social, especialmente no Brasil e na América Latina.
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